Porque é que me vou manifestar?

Não é porque me apetece. Não é mesmo. Não é por não ter mais nada que fazer. Com o sol que está qualquer esplanada me parece boa ocupação para um Sábado à tarde mas na verdade na verdade nem para isso tenho tempo. Tão pouco estou desempregado ou ganho menos que os meus compromissos regulares, o que por estes dias já toma a forma de luxo.

Amanhã vou sair à rua e protestar, sem um programa, sem uma reinvindicação específica, sem me comprometer com nenhum dos manifestos já publicados e muito menos com qualquer força ou movimento político envolvido. 

Vou manifestar-me porque como muitas outras pessoas no mundo é evidente que estamos no limite. O amanhã pode ser um enorme desastre e não apenas económico. Estou consciente que eu e quase todos podemos, muito em breve, não ter nem o essencial para viver. Vou manifestar-me porque alguém tem que dizer às elites políticas e económicas que o desastre absoluto está muito perto e mesmo que isso seja a curto prazo um bom negócio para algum deles será mais cedo ou mais tarde um desastre de proporções assustadoras para todos nós.

Em suma, amanhã vou exigir às elites que me calharam em (pouca) sorte para liderar o meu mundo que não dêem o passo em frente depois do abismo.